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Fluvial

Sinopse

Fluvial é uma meditação em torno das praias e aldeias do interior norte e centro de Portugal.
Fotografadas entre 2011 e 2017, estas cenas fluviais transformam a geografia pessoal numa atmosfera de ficção.  Dando conta de uma longa relação do autor com as praias e aldeias do norte e centro de Portugal, fazem-no não ao modo de uma investigação topográfica, mas relacionando erosão com visão. Tal como as correntes moldaram os elementos naturais, a passagem do tempo parece ter depurado o seu olhar, libertando-o da ironia, predispondo-o à percepção de formas e analogias, e a uma decência para com os seus iguais.

Capturando famílias em momentos informais da sociedade portuguesa, predominantemente emigrantes regressados a casa do norte da Europa para as férias de verão, corpos, troncos e seixos são aqui assemelhados a pequenas esculturas (antropomórficas, algumas delas);  o corpo humano, aqui quase anfíbio, vê-se muitas vezes reduzido à simples forma, à superfície submersa, quer adoptando o leito aquático enquanto instrumento óptico, quer modelado pela luz.
Os corpos humanos e não humanos emergem de esquemas de claro-escuro, quer como elementos de uma mise-en-scène ilusória, ou desfamiliarizados, reduzidos à mera forma, como por feitiçaria.

Realista ainda que onírico, transmitindo um sentido pagão da natureza, criando o efeito atmosférico de um Domingo infinito, Fluvial lembra um sonho de Verão — uma ode visual ao lazer humano.

Synopsis